
🌍 Brasil, China e outros emergentes querem usar moedas locais no comércio exterior. A proposta divide opiniões e incomoda os Estados Unidos.
Durante visita oficial à Indonésia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender que as trocas comerciais entre países sejam feitas com as moedas locais, e não mais com o dólar norte-americano como referência.
A proposta, que também tem sido discutida por China, Rússia e outros países emergentes, incomodou o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que já se manifestou publicamente contra a iniciativa.
Em discurso ao lado do presidente indonésio Prabowo Subianto, Lula afirmou:
“Queremos multilateralismo, não unilateralismo. Queremos democracia comercial, não protecionismo. É hora de discutirmos o comércio entre nossos países com as nossas próprias moedas.”
💸 Por que o dólar manda no mundo
Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o dólar se tornou a principal moeda de referência internacional.
O Acordo de Bretton Woods, assinado em 1944, consolidou o papel da moeda americana como pilar do sistema financeiro global.
Sua força, estabilidade e aceitação universal tornaram o dólar o padrão nas transações entre governos, bancos e empresas.
Na prática, até países que não têm relação direta com os Estados Unidos acabam convertendo suas moedas para o dólar antes de concluir operações comerciais internacionais.
💡 Por que os países querem mudar esse sistema
Nos últimos anos, o grupo Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) vem questionando essa dependência.
A justificativa é simples: a economia mundial não pode girar em torno de uma única moeda controlada por um só país.
Um exemplo recente dessa fragilidade foi a exclusão de bancos russos do sistema SWIFT, após o início da guerra na Ucrânia.
A sanção isolou Moscou do sistema financeiro global e acendeu o alerta em outras nações, que passaram a buscar alternativas ao dólar.
A China, principal parceira comercial da Rússia, aproveitou o momento para fortalecer o uso do yuan em negociações internacionais.
Em 2023, chegou a financiar a Argentina em sua própria moeda, num gesto que simbolizou o avanço de sua influência financeira.
🇺🇸 A reação de Trump
Donald Trump, que tenta voltar à Casa Branca, não esconde o descontentamento com o movimento de países emergentes em torno da desdolarização.
O ex-presidente já ameaçou impor tarifas extras sobre produtos vindos de nações do Brics caso o grupo insista em reduzir o uso do dólar.
Atualmente, os Estados Unidos já aplicam tarifas de até 50% sobre alguns produtos brasileiros, como o café.
A posição dura de Trump pode se tornar um entrave nas negociações comerciais com o Brasil, especialmente diante da possibilidade de um encontro entre os dois líderes nos próximos dias.
💬 O que o Brasil já colocou em prática
O Banco Central do Brasil firmou um acordo com o Banco Central da China para facilitar transações diretas entre real e yuan, sem precisar passar pelo dólar.
A medida tem como objetivo baratear custos, agilizar operações e reduzir a dependência de bancos norte-americanos.
Além disso, o Banco dos Brics, também conhecido como Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), já financia projetos em moedas locais.
O objetivo é diminuir a dependência de instituições ocidentais, como o FMI e o Banco Mundial.
Mesmo assim, especialistas apontam que a substituição completa do dólar nas transações internacionais ainda é uma ideia distante.
O projeto está em estágio inicial e enfrenta obstáculos técnicos, políticos e financeiros.
⚖️ Os dois lados da moeda
Vantagens possíveis:
- Redução da dependência do sistema financeiro dos EUA;
- Custos menores nas operações cambiais;
- Fortalecimento das moedas nacionais e maior autonomia comercial.
Riscos e desvantagens:
- O dólar ainda é a moeda mais estável e aceita do mundo;
- A mudança pode gerar volatilidade e insegurança nos mercados;
- O crédito internacional pode ficar mais caro;
- Nenhuma outra moeda tem, hoje, o mesmo alcance global do dólar.
🔍 O que está em jogo
A defesa de Lula por um sistema mais equilibrado não é apenas econômica — é geopolítica.
O Brasil quer mais voz num mundo onde o poder financeiro ainda gira em torno de Washington.
Por outro lado, os Estados Unidos veem essa movimentação como uma ameaça direta à sua influência global.
No fim das contas, a discussão sobre o futuro do dólar é também uma disputa por poder e protagonismo.
E, enquanto cada país busca seu espaço nesse novo tabuleiro, o dólar segue firme — mas não intocável.
🧭 Opinião do Blog
A proposta de Lula pode até parecer ousada, mas reflete uma inquietação antiga: por que o destino econômico do mundo deve depender de uma única moeda e de um único país?
O debate sobre a “desdolarização” não é apenas técnico — é simbólico. Representa a busca por autonomia, equilíbrio e soberania num cenário global cada vez mais concentrado.
O dólar ainda reina, mas o trono começa a balançar. E, se a história ensina algo, é que nenhum império dura para sempre — nem mesmo o financeiro.
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