
Davi Alcolumbre é reeleito presidente do Senado
BRASÍLIA – No último sábado, 1º de fevereiro, o Senado Federal elegeu Davi Alcolumbre (União-AP) como presidente da Casa para o biênio 2025-2027. Com 73 votos, o senador amapaense retorna ao cargo que já ocupou entre 2019 e 2021, sucedendo Rodrigo Pacheco (PSD-MG), seu padrinho político.
Alcolumbre foi o favorito durante todo o processo eleitoral e derrotou os senadores Eduardo Girão (Novo-CE) e Marcos Pontes (PL-SP), ambos com apenas 4 votos cada. Outros nomes como Marcos do Val (Podemos-ES) e Soraya Thronicke (Podemos-MS) também se candidataram, mas desistiram da disputa antes da votação.
A votação que elegeu Alcolumbre foi a segunda maior da história do Senado. Em 2003, José Sarney e Mauro Benevides haviam recebido 76 votos, o maior número já registrado. O resultado da eleição foi anunciado oficialmente às 15h20, após o término da apuração às 15h02.
Em seu discurso de vitória, Alcolumbre afirmou que o Congresso deve se posicionar como o “porta-voz” da população brasileira. Para ele, é essencial que os parlamentares tomem decisões difíceis e corajosas, mesmo que essas escolhas não agradam a todos. “É importante deixar claro que este Senado e este Congresso não se omitirão nem hesitarão em adotar as medidas necessárias para melhorar a vida dos cidadãos. Cada decisão deverá nos questionar: esse projeto ajuda ou atrapalha o povo?”, disse.
O senador também destacou que a sua vitória foi fruto de uma ampla unidade política, que reuniu partidos com diferentes ideologias, e que a confiança depositada nele reflete o apoio ao projeto político construído coletivamente.
Alcolumbre ressaltou ainda que não busca protagonismo, mas pretende ser um “catalisador” das vontades do plenário. Ele garantiu que o Senado será uma Casa de “iguais”, onde todos terão voz, independentemente de suas orientações ideológicas.
Em seu discurso antes da eleição, o senador fez questão de abordar temas polêmicos, como a controvérsia sobre as emendas parlamentares, e enviou um recado ao Supremo Tribunal Federal (STF), ressaltando a importância do respeito às prerrogativas do Legislativo.
Alcolumbre também reafirmou seu compromisso com a democracia, fazendo um alerta contra “atalhos populistas” e a distorção dos debates nas redes sociais, que muitas vezes simplificam de forma mal-intencionada questões complexas.
Embora tenha ficado fora da presidência do Senado nos últimos quatro anos, Alcolumbre manteve uma forte influência na Casa, especialmente com sua liderança na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Ele conquistou apoio de uma ampla gama de partidos, incluindo o PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o PL, ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, o que garantiu sua vitória.
A eleição de Alcolumbre também resultou em uma redistribuição de cargos-chave na Mesa Diretora do Senado. O PL, partido de Bolsonaro, assegurou a primeira vice-presidência com Eduardo Gomes (PL-TO), enquanto o PT ficou com a segunda vice-presidência, com o ex-ministro Humberto Costa (PE).
Os outros cargos da Mesa foram preenchidos da seguinte forma:
- Primeira Secretaria: Daniella Ribeiro (PSD-PB)
- Segunda Secretaria: Confúcio Moura (MDB-RO)
- Terceira Secretaria: Ana Paula Lobato (PDT-MA)
- Quarta Secretaria: Laércio Oliveira (PP-SE)
A vitória de Alcolumbre retomou a tradição de eleições presidenciais do Senado com grande margem de apoio. Em 2023, Rodrigo Pacheco foi reeleito com uma diferença mais apertada, 49 a 32, contra Rogério Marinho (PL-RN). Já em 2019, Alcolumbre venceu com 42 votos a 13.
Alcolumbre se destaca por seu bom trânsito tanto à direita quanto à esquerda, sendo um dos principais responsáveis pelas negociações em torno das emendas parlamentares e das indicações ministeriais do governo Lula, como as pastas das Comunicações e da Integração Nacional.
Com 47 anos e um histórico de mais de 20 anos na política, Alcolumbre tem consolidado seu papel como um líder articulador no Congresso. Nos últimos anos, ele se manteve em destaque como presidente da CCJ e tem sido comparado a Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, em relação à sua habilidade política de negociar com diferentes grupos, independente do governo que esteja no poder.
Ao longo de sua trajetória, Alcolumbre também construiu um relacionamento próximo com o governo de Jair Bolsonaro, garantindo a representação do Senado nas principais decisões e ajudando a moldar o cenário político atual.
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